sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Hortaliças e flores já sofrem com estiagem

Hortaliças e flores já sofrem com estiagem

Os cortes no fornecimento de água estudados pelo governo paulista à agricultura deverão ampliar uma situação já considerada crítica para o segmento de hortifrúti
Hortaliças e flores já sofrem com estiagem
Na prática, a escassez de água já é sentida no campo, o que levou à decisão de vários produtores de reduzir ao mínimo a semeadura.
"Com certeza, a partir de fevereiro e março vai haver expressiva falta de produtos", afirmou Carlos Schmidt, gerente-executivo da Associação dos Produtores de Hortifrúti do Estado de São Paulo, que reúne 12 associados e 750 parceiros e é responsável por 35% da oferta de hortaliças no Estado.
Segundo ele, o maior polo de produção paulista está justamente nos 13 municípios atendidos pelo sistema Alto Tietê, hoje com apenas 10% do seu volume de água armazenado. "Os produtores estão optando por uma quantidade mínima de semeadura. As plantas do berçário, que consomem muita água, estão sendo fortemente impactadas", disse Schmidt, sem citar detalhes. Além da falta de água, a alta luminosidade e o calor têm prejudicado as hortaliças, que estão, basicamente, torrando ao sol.
No segmento de flores, a situação é similar mas ainda não atinge todo o setor. Em Atibaia, município abastecido pelo sistema Cantareira, desde outubro clientes têm cancelado o recebimento de mudas por falta de água, diz Silvia van Rooijen, da Câmara Setorial de Flores e Plantas Ornamentais. O impacto é duplo. Por um lado, a escassez afetou a produção de flores. Por outro, as compras do consumidor também caíram, sobretudo no setor de paisagismo. "A expectativa era crescer até 10% em 2014. Se chegamos a 8%, foi suado", diz ela.
Em Holambra, a irrigação ainda ocorre normalmente, mas o calor excessivo tem surtido um efeito colateral inesperado: o amadurecimento mais rápido das plantas, o que tem provocado sobreoferta de flores. No leilão da última segunda-feira, 24% das hastes e vasos não teve comprador. Algo inédito no setor.

Moagem de cana em MG totaliza 58,56 mi/ton

Moagem de cana em MG totaliza 58,56 mi/ton

A moagem de cana-de-açúcar pelas unidades produtoras do estado de Minas Gerais, até 16/01, totalizou 58,56 milhões de toneladas de cana, 3,99% inferior ao mesmo período da safra passada.
Moagem de cana em MG totaliza 58,56 mi/ton
A produção acumulada de açúcar alcançou 3,2 milhões de toneladas e, a de etanol, 2,68 bilhões de litros, sendo 1,15 bilhões de litros de etanol anidro e 1,52 bilhões de litros de hidratado.

BALANÇO SEMANAL CNC - 02 a 06/02/2015

BALANÇO SEMANAL CNC - 02 a 06/02/2015

Os efeitos do clima adverso fizeram com que os pés de café tivessem menos frutos, com a má formação das rosetas, e desuniformidade dos grãos. Volume a ser colhido em 2015 sofrerá, inegavelmente, quebra em relação ao esperado

BALANÇO SEMANAL CNC - 02 a 06/02/2015
REFLEXO DO CLIMA — Nas últimas semanas, mantivemos contatos com nossas cooperativas, visitamos lavouras e notamos problemas que as adversidades climáticas de 2014, acrescidas do veranico de janeiro deste ano, ocasionaram nos cafezais brasileiros. É nítida, até o momento, a menor quantidade de frutos nos pés, com a má formação das rosetas, bem como a desuniformidade dos grãos, o que, inegavelmente, já impactará de forma negativa no volume a ser colhido em 2015. Teremos uma ideia real do tamanho que essa quebra poderá ter somente no final deste mês, quando a Fundação Procafé finalizará as pesquisas de campo que está realizando a pedido do CNC.
Observou-se, neste começo de fevereiro, o retorno das precipitações em algumas regiões do cinturão produtor, mas as chuvas vieram em volumes aquém da média para o período e de forma intercalada, não sendo suficientes para a recuperação do armazenamento de água no solo. Por outro lado, devemos monitorar a questão climática e aguardar que as precipitações voltem em sua escala normal, de maneira que os frutos do café possam completar seu ciclo de granação e não registrarmos uma quebra ainda maior na colheita deste ano.
DESENVOLVIMENTO DE INTERNÓDIOS — Outro reflexo que observamos nas lavouras devido ao clima irregular é o menor desenvolvimento dos internódios do cafeeiro, que, em média, encontram-se com um atraso de dois a quatro nós em seu crescimento, totalizando cerca de seis nós, quando, para esta época do ano, normalmente deveriam somar de oito a 10. Esse cenário se justifica pelo estresse hídrico de 2014 e pelo atraso das chuvas neste ano, os quais não permitirão que seja observado o crescimento padrão de aproximadamente 15 nós ao ano e, consequentemente, comprometerá a produção 2016, haja vista que são nesses nós que nascem os frutos das safras futuras.
MERCADO – As cotações futuras do café apresentaram discreta recuperação nesta semana, com os investidores voltando a se preocupar com os impactos das perdas da safra 2015 do Brasil no equilíbrio entre oferta e demanda mundial e, também, com a perspectiva de uma baixa produção em 2016. Embora tenha chovido em parte das regiões produtoras nacionais, especialistas consideram que os danos derivados do clima quente e seco dos últimos meses já são irreversíveis.
Segundo a Climatempo, a intensificação de um sistema de baixa pressão atmosférica no litoral paulista traz perspectivas de chuvas, até 9 de fevereiro, para o leste de São Paulo, Zona da Mata, Leste e Oeste de Minas Gerais, Rio de Janeiro e também para o Espírito Santo. No entanto, a empresa alerta que os volumes previstos não são suficientes para cobrir o grave déficit de precipitações, especialmente sobre o estado capixaba.
Já a Somar Meteorologia prevê, para a próxima semana, redução das chuvas nas áreas produtoras, devendo ocorrer apenas pancadas irregulares, principalmente na parte sul do cinturão produtor de café.
Reforçando o cenário de aperto de oferta, as exportações brasileiras de café continuaram elevadas em janeiro, pressionando ainda mais os estoques. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), o País embarcou 2,725 milhões de sacas de 60 kg de café verde no mês passado, volume 7% superior ao de janeiro de 2014. A receita cambial apresentou elevação de 61% no período, para US$ 546 milhões ante os US$ 339 milhões registrados no mesmo mês do ano passado.
Na Bolsa de Nova York, o vencimento março do Contrato C foi cotado, na quinta-feira, a US$ 1,6475 por libra-peso, acumulando valorização de 285 pontos em relação ao final da semana passada. Com a proximidade do período de notificação de entrega do vencimento março (a partir de 19 de fevereiro), as atenções estão voltadas para as negociações de spreads das rolagens de posição, principalmente para maio. Na ICE Futures Europe, as cotações do robusta não apresentaram variação significativa, com o vencimento março/2015 encerrando a sessão de ontem a US$ 1.922 por tonelada, com perdas de US$ 3 desde a última sexta-feira.
O mercado físico brasileiro registrou volume um pouco maior de negócios com a relativa melhora dos preços. No entanto, o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) informou que os produtores ainda seguem retraídos, aguardando novas valorizações. Na quinta-feira, os indicadores calculados pela instituição para as variedades arábica e conilon foram cotados a R$ 475,12/saca e a R$ 296,68/saca, respectivamente, com variação de 6,7% e 2,7% no acumulado semanal.
Em relação ao câmbio, o dólar comercial acumulou alta de 1,9% nesta semana, encerrando a sessão de ontem a R$ 2,7415. Essa tendência foi estimulada pela crise na Grécia, pela troca de comando da Petrobrás e também pelas especulações quanto ao futuro das intervenções do Banco Central do Brasil no mercado cambial.
Por fim, ressaltamos que 2015 se inicia com maiores custos para a cafeicultura, mesmo sem considerar a redução de produtividade derivada da estiagem prolongada. O Centro de Inteligência e Mercado da Universidade Federal de Lavras (CIM/UFLA), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), analisou o impacto do reajuste do salário mínimo para R$ 788,00 nas despesas dos cafeicultores. Os resultados indicam aumento de até 5,35% nos gastos operacionais dos sistemas produtivos exclusivamente manuais. Considerando, ainda, o aumento dos custos com insumos, esse fato reforça a importância da revisão do preço mínimo do café, de forma que os instrumentos de política agrícola, quando forem utilizados, reflitam a realidade do produtor.

Vitrines atraem a atenção dos visitantes da Abertura da Colheita do Arroz

Vitrines atraem a atenção dos visitantes da Abertura da Colheita do Arroz

Onze empresas apresentam novidades tecnológicas em termos de cultivares para a cultura
Vitrines atraem a atenção dos visitantes da Abertura da Colheita do Arroz
O principal ponto visitado pelos produtores neste primeiro dia da 25ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz, que iniciou nesta quinta-feira no Parque de Exposições do Sindicato Rural de Tapes (RS), foi a vitrine tecnológica. No local, onze empresas apresentam suas novidades, tecnologias, variedades e tendências para as culturas de arroz, soja e milho
Cada grupo de agricultores é levado por um guia que vai conduzindo os produtores de parcela em parcela onde recebem orientações e explicações dos técnicos e agrônomos das empresas e entidades expositoras. Nesta dinâmica, os arrozeiros questionam sobre resistência a pragas e plantas daninhas, além de buscar informações sobre o potencial produtivo das variedades.
Segundo a técnica da Estação Experimental de Cachoeirinha do Instituto Riograndense do Arroz (Irga), Mara Cristina Barbosa Lopes, a proposta da vitrine da entidade é de mostrar os lançamentos em termos de variedades para os produtores. "Nós estamos apresentando as principais características das variedades de forma que o produtor conheça e faça o melhor uso conforme a situação das suas lavouras", explica.
Entre as novidades, conforme Mara, estão a Irga 424 RI, que é uma cultivar serve como uma ferramenta genética em áreas infestadas por arroz vermelho. A variedade contém um gene auxilia na eliminação da planta daninha sem prejudicar o arroz comercial. "É uma variedade muito esperada pelo produtor. A base genética é a mesma do Irga 424 que se caracteriza por um alto potencial produtivo. Também é resistente à Brusone e isso ajuda a diminuir o uso de fungicidas", salienta.
Além do Irga, também são expositoras da Vitrine Tecnológica a Embrapa, RiceTec, Bayer Cropscience, FMC, Basf, Coodetec, Fundação Pró-Sementes, DuPont Pioneer, Dow AgroSciences e Argotain. Com o tema "Cesta Básica Garantida com Renda no Campo Comprometida", a 25ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz vai até o próximo sábado, dia 7 de fevereiro. O evento é organizado pela Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) com a parceria da Associação de Arrozeiros de Tapes.

O 'ouro branco' egípcio perde o brilho

O 'ouro branco' egípcio perde o brilho

Sinônimo de luxo, o algodão do Egito é famoso no mundo todo
O
No país, o chamado "ouro branco" foi celebrado em filmes e costumava ser usado para bancar festas glamourosas e solucionar problemas de endividamento no fértil delta do Nilo. Mas o produto egípcio, outrora base da economia nacional, está em baixa há anos, afetado por mudanças de políticas públicas, pelo encolhimento do mercado doméstico e pelas caprichosas oscilações dos preços internacionais.
É nesse contexto que a recente decisão do governo de acabar com os subsídios aos cotonicultores locais, criados há apenas um ano, enervou a cadeia produtiva. Muitos agricultores ameaçaram simplesmente parar de plantar algodão. "Depois do comunicado do ministro da Agricultura [em janeiro], os produtores optarão por plantar qualquer outra coisa", afirmou Mohamed Farag, que dirige o Sindicato dos Agricultores Independentes do Egito. "Acho que haverá menos algodão no mercado e o preço vai subir na próxima temporada", disse ele.
O subsídio girava em torno de US$ 200 por feddan (unidade de área equivalente a 4,2 mil metros quadrados), e o governo espera que o fim do apoio encoraje os agricultores a plantar algodão apenas se tiverem contratos assinados com os compradores. No Egito, entretanto, os produtores têm pouco poder de negociação por estarem mal organizados, de forma que o subsídio oficial era um importante incentivo para o cultivo do cobiçado produto.
Para muitos especialistas, apenas o algodão americano rivaliza com o egípcio. É caracterizado por fibras extralongas, que podem ser esticadas em fios refinados para os tecidos de luxo. Estados Unidos e Egito dominam o mercado global de algodão de qualidade superior, cada um com cerca de 40% de participação. As variedades mais refinadas representam 90% da produção de algodão no Egito. Os 10% restantes são de fibras médias.
Mesmo antes do fim do subsídio, a produção e as exportações do país já estavam em queda. De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), o Egito exportou 221 mil toneladas de algodão em 2006. Em 2014, foram apenas 50 mil toneladas, segundo Mefreh al Beltagui, chefe da Alcotexa, associação dos exportadores egípcios. Cerca de 50% da colheita é exportada, e o restante é usado na produção doméstica.
"A área plantada vem encolhendo porque a cultura é menos rentável para os agricultores do que as alternativas à disposição", diz ele. "Todos os países produtores de algodão, mesmo os EUA, operam com alguma forma de subsídio".
Quando anunciou o fim do subsídio, o ministro da Agricultura do Egito, Adel El-Beltagy, alegou que a demanda doméstica por algodão de alto padrão é baixa. Assim, a indústria têxtil local depende das importações de variedades mais baratas de fibras médias e curtas, mais adequadas à produção de camisetas e brim, que representam grande parte da produção de roupas no país.
O excesso de algodão de alto padrão em 2013 fez com que, no ano passado, o governo do Egito também subsidiasse as empresas de fiação e tecelagem - muitas delas empresas públicas com problemas de caixa - para que se livrassem de estoques encalhados. Segundo exportadores, os excessos derivaram da rejeição de parte da colheita por compradores estrangeiros, que constataram a presença de variedades de menor qualidade em lotes de padrão mais elevado.
Ainda assim, o governo insiste que os subsídios não são a solução para os agricultores. "O formato do setor mudou", disse Ali Ismail, um alto representante do ministério da Agricultura do Egito. "Os que querem algodão para exportar devem pagar um preço decente. Temos 260 empresas que trabalham com algodão e, quando a safra é colhida, eles pressionam os agricultores [para derrubar o preço]. Queremos que eles se acertem com os plantadores", defendeu.
Beltagui, da associação dos exportadores, afirma ser impossível para seus membros acertarem um preço antecipado com os produtores porque não há mercado futuro para o algodão de fibras longas. "Poderia acabar sendo prejudicial para o agricultor e para o vendedor", disse. "Se o preço do mercado acabar sendo maior que o acertado, o agricultor vai sair da venda; se for menor, o comprador vai desaparecer". O dirigente defende que o governo ofereça subsídios ao agricultor se os preços caírem abaixo de um determinado limite.
Especialistas argumentam que os problemas domésticos ocorrem apesar de o algodão de alta qualidade ainda ter um mercado internacional. "Acho que sempre haverá espaço para as importações de algodão egípcio, mesmo na China e na Índia, que também são exportadores de algodão", diz Andrei Guitchounts, diretor de análise de comércio exterior do Comitê Consultivo Internacional do Algodão (Icac), entidade com sede em Washington que reúne governos de países produtores e consumidores de algodão. "Se a produção egípcia dobrar, ainda será possível que o mercado internacional a absorva."

Paralisação de fábricas de vacinas contra aftosa preocupa segmento

Paralisação de fábricas de vacinas contra aftosa preocupa segmento



Paralisação de fábricas de vacinas contra aftosa preocupa segmento

Responsável por quase metade das vacinas contra o vírus da febre aftosa produzidas no Brasil, a mineira Vallée foi obrigada pelo Ministério da Agricultura a suspender a produção em sua fábrica localizada em Montes Claros (MG) em razão de "não conformidades" com regras de biossegurança em vigor no país. Conforme o Valor apurou, a unidade foi paralisada em meados de janeiro e poderá ficar sem operar por até um ano.
A medida acendeu a luz amarela na cadeia de produção de bovinos. Isso porque, além da Vallée, a Merial, braço veterinário da farmacêutica francesa Sanofi, já não produz vacinas em sua unidade em Paulínia (SP) há mais de dez meses, também devido a "não conformidades" detectadas pelo Ministério da Agricultura. Juntas, Vallée e Merial respondem por 70% da produção brasileira de vacinas contra aftosa.
Em 2014, a meta do ministério era vacinar 167,922 milhões de bovinos e bubalinos na primeira etapa de vacinação, entre abril e maio, e 148,775 milhões de bovinos na segunda etapa, concentrada em novembro. O índice de vacinação ainda não foi divulgado. O rebanho bovino e bubalino do país está estimado em 207,8 milhões. A maior parte dos Estados do país vacina seus animais com até 24 meses duas vezes por ano. Acima dessa idade, a vacinação é feita apenas uma vez por ano. Santa Catarina é o único Estado livre de aftosa sem vacinação no país, segundo status conferido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE).
Procurado, o Ministério da Agricultura assegurou que, apesar dos problemas, o abastecimento de vacinas está garantido. "Não há risco de desabastecimento de vacina contra a febre aftosa. Existem outras empresas autorizadas a fabricar as vacinas, e o ministério monitora mensalmente os estoques de vacinas disponíveis", informou a Pasta, por meio de sua assessoria da imprensa.
A avaliação é compartilhada por Emílio Salani, diretor de operações do Sindan, entidade que representa a indústria veterinária. Segundo ele, os estoques de segurança monitorados pelo ministério e outras empresas com capacidade ociosa são capazes de atender à demanda da primeira etapa da campanha de vacinação deste ano, entre abril e maio.
Como os estoques não são suficientes para o ano todo, o ritmo de produção das outras companhias que atuam no segmento (Biovet, Ourofino, Innova e Biogénesis-Bagó) será vital para o equilíbrio do mercado caso os problemas com as fábricas paradas perdurem. "[O estoque] não é suficiente para atender novembro", disse Salani, em referência à segunda etapa de vacinação. Ainda assim, ele ressaltou que todas as empresas "associadas ao Sindan têm capacidade acima do volume que tradicionalmente produzem".
Em entrevista recente ao Valor, o diretor-geral da Hertape, Ricardo Renault, informou que fábrica da Innova - joint venture entre Hertape e Eurofarma - é capaz de produzir 150 milhões de doses ao ano. Na ocasião, ele disse que a empresa produziu 60 milhões de doses em 2014. Já Ourofino e Biovet tem capacidade para 40 milhões e 60 milhões de doses por ano, respectivamente.
Se o risco de desabastecimento é minimizado, o impacto comercial da paralisação da fábrica da Valée, que tem capacidade para produzir 200 milhões de doses ao ano, é grande e pode respingar sobre duas das maiores veterinárias que atuam no país: as americanas MSD (controlada pela Merck) e Zoetis. A Vallée é fornecedora das duas empresas, que não têm no Brasil fábricas de vacinas contra aftosa, vírus que ainda é o principal mercado para a indústria veterinária no país - em 2014, movimentou R$ 360 milhões. No total, o faturamento anual da indústria supera os R$ 4 bilhões.
Segundo o Ministério da Agricultura, a suspensão da fábrica da Vallée foi determinada após uma inspeção realizada no fim do ano passado detectar problemas na área da unidade onde se dá o processo de manipulação do vírus. Trata-se de uma área delicada, que deve operar com pressão negativa.
Ao Valor, o diretor comercial da Vallée, Ricardo Pinto, negou que o problema seja no processo de manipulação do vírus. Segundo ele, a principal "não conformidade" detectada envolvia o tanque de efluentes, que não estava de acordo com a Instrução Normativa nº 5, norma editada em 2012 que atualizou os parâmetros de biossegurança.
Segundo o executivo, a mudança exigida no tanque de efluentes já foi feita e a Vallée já solicitou nova inspeção do ministério para que a fábrica seja reaberta. Apesar disso, Pinto reconhece que, para se adequar totalmente à normativa, a empresa mineira precisa realizar outras mudanças, que incluem a troca de equipamentos que já foram encomendados. Ele admite que as trocas podem levar até seis meses, porque os equipamentos foram importados da Alemanha. Mas defende que a correção do tanque de efluente é suficiente para permitir a reabertura.
No entanto, um especialista do segmento disse que uma obra como a que a empresa precisa fazer para se ajustar às normas em vigor leva em torno de um ano entre manutenção e o processo de validação do Ministério da Agricultura, procedimento necessário para que a retomada da fábrica seja autorizada. Questionado pelo Valor, a Pasta informou que a Vallée já "apresentou plano de correção" e que ele está em avaliação no Departamento de Fiscalização de Produtos Agropecuários (DFIP) do ministério.
Sem produzir há mais de dez meses, a Merial também foi obrigada a corrigir não conformidades na área de manipulação do vírus em sua fábrica em Paulínia. O Valor apurou que a empresa investiu cerca de R$ 5 milhões para realizar adequações na unidade e já enviou documentos para que o Ministério da Agricultura autorize a retomada da produção. Paralelamente, a Merial também está investindo cerca de R$ 170 milhões na construção de uma nova fábrica de vacinas contra aftosa, em Paulínia. A previsão é que essa unidade seja concluída em 2016, conforme já foi anunciado. A nova unidade estará totalmente adequada aos padrões da IN nº 5.
Procurada, a MSD informou que "não tem nenhum problema com o fornecimento de vacinas para aftosa" e que o pedido de vacinas para o ano de 2015 está "confirmado". A Zoetis não comentou.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Os impactos da seca no agronegócio

Os impactos da seca no agronegócio

4 de fevereiro de 2015 às 15:28 por Redação Climatempo